Assim como os frequentadores da UPA, a Unicamp é uma instituição jovem e cheia de vigor. A Universidade completou 50 anos em 5 de outubro de 2016. É praticamente uma adolescente se comparada às escolas de ensino superior da Europa. A Universidade de Bolonha (Itália), para ficar em um único exemplo, foi fundada no ano de 1088, ou seja, quase mil anos atrás. Apesar da sua juventude, a Unicamp conseguiu se consolidar como uma das mais destacadas universidades do mundo. Em julho passado, foi considerada a melhor da América Latina, segundo a publicação britânica Times Higher Education (THE).

Os indicadores de produtividade e qualidade apresentados pela Unicamp impressionam. A Universidade responde por 8% da pesquisa acadêmica no Brasil e 12% da pós-graduação nacional. Também mantém a liderança entre as universidades brasileiras no que diz respeito a registros de patentes e ao número de artigos (per capita) publicados anualmente em revistas científicas de elevada qualidade. A instituição conta com aproximadamente 34 mil alunos matriculados em 66 cursos de graduação e 153 programas de pós-graduação. Atualmente, 99% de seus professores possuem o título mínimo de doutor.

A média anual de teses e dissertações defendidas pelos pós-graduandos é de 2,1 mil. Todos os anos, cerca de 800 doutores são formados. Em cinco décadas, a Unicamp formou mais de 65 mil jovens profissionais em seus cursos de graduação. Esse batalhão constituído por homens e mulheres atua hoje em outras universidades, empresas, governos, hospitais e organizações sociais, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do país.

Localizada no Estado de São Paulo, a Unicamp tem quatro campi: Campinas, Paulínia, Piracicaba e Limeira, que abrigam 24 unidades de ensino e pesquisa. Possui também um vasto complexo de saúde (com duas grandes unidades hospitalares no campus de Campinas), além de 23 núcleos e centros interdisciplinares, dois colégios técnicos e uma série de unidades de apoio, num universo onde convivem cerca de 50 mil pessoas e se desenvolvem milhares de projetos de pesquisa. O campus de Campinas tem o nome do seu fundador, Zeferino Vaz. A Cidade Universitária "Zeferino Vaz" está localizada no distrito de Barão Geraldo, região noroeste de Campinas. Fica a 12km do centro da cidade.

Foto: Reprodução

A Unicamp é uma autarquia, com autonomia em política educacional, mas está subordinada ao governo do Estado de São Paulo no que se refere a subsídios para a sua operação. Assim, os recursos financeiros que mantêm a Universidade são obtidos principalmente do repasse do tesouro do Estado e de instituições nacionais e internacionais de fomento. A Unicamp tem uma graduação forte com um grande leque de cursos nas áreas de ciências exatas, tecnológicas, biomédicas, humanidades e artes. Também é a Universidade brasileira com maior índice de alunos na pós-graduação – 48% de seu corpo.

Na Unicamp, ensino e pesquisa são como amigos inseparáveis. Isso permite que o conhecimento novo gerado a partir das pesquisas seja repassado aos alunos, que também participam das investigações, seja na graduação, seja na pós-graduação. Ao dar ênfase à investigação científica, a Unicamp parte do princípio de que a pesquisa, servindo prioritariamente à qualidade do ensino, pode ser também uma atividade econômica. Daí a naturalidade de suas relações com a indústria, seu fácil diálogo com as agências de fomento e sua rápida inserção no processo produtivo.

Tal inserção começou na década de 70, com o desenvolvimento de pesquisas de alta aplicabilidade social, muitas das quais logo foram difundidas e incorporadas à rotina da população. Como exemplos, temos a digitalização da telefonia, o desenvolvimento da fibra óptica e suas aplicações nas comunicações e na medicina, os vários tipos de lasers hoje existentes no Brasil e os diversos programas de controle biológico de pragas agrícolas, entre outros.

Nas últimas décadas, o papel da Unicamp, como instituição geradora de conhecimento científico e formadora de recursos humanos qualificados, atraiu para seu entorno um complexo formado por outros centros de pesquisa vinculados aos governos federal ou estadual, além de um importante parque empresarial nas áreas de telecomunicações, de tecnologia da informação e de biotecnologia. Muitas dessas empresas nasceram da própria Unicamp e da capacidade empreendedora de seus ex-alunos e professores. São as chamadas “filhas da Unicamp”, quase todas atuando nas áreas de tecnologia de ponta.

Foto: Reprodução